Eat your dead relatives.
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Sexta-feira, Setembro 02, 2005
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O cheiro que vem de dentro dessa presença, tão humana, tão perdida. O abraço plástico. Joga gasolina. Os restos dos bebês usam máscaras. Representando quem poderiam ser um dia. Mas eu não fui um desperdício, você foi? Você não é um desperdício. Só arranca a alma com um grito. E se sobrepõe como uma fotografia.
No fundo da cerâmica do seu olho, aquele brilho fraterno denuncia: você está longe. E todas essas idéias fecundas se desenvolvem neste ventre vasto... Para que um dia, amadurecidas, eu seja a realizadora do meu próprio parto. E que eu me lembre de minhas primeiras palavras ditas, e segure minhas mãos para que dê os primeiros passos.
A questão tão inflamada, quando, quando nascerei? Eu sou a minha própria mãe, eu nasço espontaneamente em cada frase que digo. O mundo é muito grande para nossa miséria. O mundo não se importa com isso. E eu sou a primeira formiga do aquário de vidro, onde deuses, crianças inocentes curiosas, circulam observando boquiabertos, que o caos existe e a vida existe, sem laços, sem compromissos, sem nada, sem motivo.
Festejam o caos com mãozinhas trêmulas inquietas, infinitamente curiosas, e nada pode ser parado. A vontade que não se sobrepõe. As auras que colidem no choque. As marcas e hematomas do espírito em constante queda.
E é descalço que ele atravessa o chão de brasa, sem um gemido, sem uma contração, se distraindo da constante existência morna, absorvendo o inferno para saber que existe um.
postado por: Mallory Knox 2:14 PM
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Segunda-feira, Agosto 22, 2005
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A sua humanidade é tão mecânica. E é só desta forma que pode ser, para que não seja apenas selvagem, para que seja amena, deve ser institucional. A sua humanidade ultrapassa-te. É uma instituição que não vive, mas se inaugura. A cada dia, e sobrevive. E dos vãos urbanos ela se levanta, e chama-te. Como um vapor de calor, subindo pelo asfalto, como a chuva que evapora criando imagens em torno dos pneus dos carros.
Me corrija. As décadas passam e ainda esta mesma sociedade. Ainda marginalizada a vontade. Séculos de culpa que culminam no nada. Atrás das cortinas de mistério, não existe nada. O que é para ser visto é o que estamos vendo, você diria. Mas me corrija. Se eu estiver errada. Se viver for mais do que atravessar uma nuvem de fumaça.
Embaixo das suas roupas e dos seus cabelos e dos seus cílios engordurados estão os pequenos animaizinhos domésticos, os pedaços dos brinquedos que quebraram, as cartas que nunca terminaram de ser escritas. Cartas essas endereçadas as pessoas que nunca nasceram. Pessoas essas que você necessitava que existissem.
Mas não. Elas não existiam. Todas as gerações se anulam com o choque quando se encontram abismadas diante do nada. O grande homem, aquele que foi um grande homem, mal consegue comer agora, deixa cair todas as migalhas, paga o café com o dinheiro amassado, não tem o mínimo cuidado, não faz a barba, está doente. O grande homem preferia, talvez, não ter sido o grande homem e ter sido tão medíocre quanto aqueles que comem com talheres.
Ele lê o jornal de meses atrás, mas não faz diferença, as notícias são sempre as mesmas.
A cada trinta segundos, exclamava cada vez mais alto ¿Deus sabe o que faz¿, e é só isso que ele sabe dizer, sabe o que faz, sabe o que faz, deve saber.
Até aí ¿ meu senhor ¿ posso dizer que eu também sei. Mas prefiro esquecer. Prefiro esquecer.
Tem algo andando, se movendo por debaixo do solo, como um terremoto que ninguém sente. Mas eu sinto. Ela sente. Ele sente. Mas guardamos segredo disso. Não queremos que alguém pense que estamos loucos. Me dá uma angústia tremenda, as coisas se movendo, será que ninguém mais vê? Algo está errado, algo no dia de hoje, algo é puro tédio. E o tédio ataca como uma tragédia hoje. Ah, se todos os segredos pudessem ser revelados, estaríamos todos salvos.
E viver, meu caro, seria desnecessário.
O grande homem grita ¿abaixo a instituição humana¿. A razão ele tem. Mas ele não lembra, se esquece. Sem a sua instituição, não há nada para admirar.
postado por: Mallory Knox 9:58 AM
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Quarta-feira, Agosto 10, 2005
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Sexta-feira, Julho 29, 2005
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Segunda-feira, Julho 25, 2005
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E só me resta poeira
E só me resta poeira
E só me resta poeira
Onde está a cidade que me consumiu a vida inteira?
A que me dá vida, a que sugo, dos espíritos vazios nas esquinas...
Já ouvi vozes divinas e enfrentei visões diabólicas...
Mas nada importa: eu fui feliz um dia.
postado por: Mallory Knox 2:08 PM
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Quarta-feira, Julho 20, 2005
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Segunda-feira, Julho 18, 2005
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Como prometi, aqui vai a crítica do meu "amigo" canadense. Logo após isso, ele me enviou uma crítica revisada, pedindo desculpas, elogiando os textos, dizendo que ele levou um tempo para entender. Claro que essa segunda crítica não foi tão legal e interessante, mas posso postar aqui a título de continuidade.
"Seus textos são bosta absoluta e te direi porque. Eles não levam a nada além de fases desconstruídas, degradam a abilidade do leitor de obter pensamentos com algum nível de estrutura cognitiva. Eles dependem do leitor, para que tenham sua visão enquanto observam diarréia verbal. O autor não se autoriza presença de mente. Muito obrigada, sua porca, escritora de terceiro mundo, feiticeira pilantra, você me faz querer pecar."
postado por: Mallory Knox 8:33 PM
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Segunda-feira, Julho 11, 2005
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Passam-se os dias, eu tento não pensar nisso. Tento nunca ser auto-biográfica. Que grande mentira! Mas ninguém nunca sabe mesmo. Eu queria escrever coisas mesmo obscenas, mas eu não consigo, eu não sou obscena. E mesmo se for, não quero ser obscena escrevendo. Porque não acho que escrever seja obsceno. Há dias nos quais quero tanto viver que fluir se torna difícil. Dias nos quais meu corpo duro mal consegue se mover com tanta vontade emanando dele. E por vezes, o deixo para trás. Para lembrar de alguma antiga história...
Batem os sinos me dizendo a hora, é hora de sufocar a memória, e nela eu mergulho, como se estivesse afogando, meus pulmões voltam cheios, cheios. Neste lugar as crianças ainda soltam pipas, e o sol é brilhante, fedorento, elas insistem em serem crianças tanto que ignoram todo o pavimento, e correm com seus pés sujos se desgrudando e os gravetos ferindo a sola espessa. Duvido muito que veja algum dia algo mais familiar do que as pipas entre as nuvens, e a bagunça dos morros. Tudo que é belo é desordenado.
Quando o escuro vai embora, eu sinto que não tenho nada a dizer. Que não quero desperdiçar minha alma com palavras. Não quero derramar em seu ritmo tão verdadeiro e urbano, a sujeira e aspereza das letras. Eu quero ver aqueles rostos de vapor, mofados, suados com olhos opacos. As pessoas que saem para trabalhar e não podem se deixar em casa. Queria o ciclo da estrada e observar, só observar que as coisas vivem.
Elas arrancam do ambiente sua sobrevivência, o que não acham, arrancam de si mesmas. Elas se reproduzem cruelmente, e seus filhos opacos, terão mais filhos opacos até que o mundo pare de ser humano. E de tão humanos que somos, criamos as bonecas.
Eu esperava que pela manhã ninguém tivesse a ousadia de pronunciar coisas ditas em línguas. Esperava que pela manhã todos se animalizassem, e se tocassem e se lambessem, como gatos numa cesta de vime. Que comessem com as mãos e as bocas e se esquecessem dos talheres. Que suas mentes parecessem ocas, e cuspissem as sementes das frutas nas mesas. Para que depois, à tarde, quando falassem e andassem e sorrissem, as recolhessem, queria que por algumas horas diárias, todos fôssemos permitidos.
Não somos os outros dinossauros. Não estamos à espera do apocalipse. Não tenho nada a dizer à humanidade. Portanto, agora, me calo.
postado por: Mallory Knox 3:18 PM
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Quarta-feira, Julho 06, 2005
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Sinto sua língua no meu rosto.
Sua mão no meu quadril.
Levantando minha camisola molhada de lágrimas.
Eu não me movo. Fecho os olhos.
Sinto seus dedos... dentro...
Minhas feridas ainda estão doendo.
Se deita sobre mim , inicialmente com cuidado , depois jogando todo seu peso sobre meu corpo ferido e doído.
Eu não esboço uma reclamação ou gemido.
Sinto que eu gosto de tudo isso.
Sinto vontade de gritar, tão forte que ele me penetra.
Eu não me mexo ou falo ou produzo sons.
Ele não presta atenção na falta de ruído.
Ele está confortável no silêncio.
Estou excitada.
Penso que ele me ama.
Ele me larga.
E reclama dos lençóis sujos de sangue.
postado por: Mallory Knox 11:09 AM
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Terça-feira, Junho 28, 2005
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Quinta-feira, Junho 23, 2005
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Domingo, Junho 19, 2005
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Terça-feira, Junho 14, 2005
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Dentro do ônibus, as mães entram com suas filhas... A primeira diz:
"Filhinha, senta direito, cruza as perninhas, senta direito"
Já a segunda, a filha fala "você vai lavar meu cabelo hoje mamãe?"
"Não sei, talvez, eu lavei ontem. Tem que ser um dia sim, um dia não, senão estraga"
"Mãe, eu conheço a filha da vizinha... Ela é muito... ela é muito grande"
"Ela não, ela é pequena"
"Ela é meio grande, meio pequena, né mãe?"
Ao ver 3 mulheres vestidas de azul, as frentistas do posto de gasolina, ela pergunta:
"Manhê, você conhece aquelas mulher?"
"Não, a mamãe não tem que conhecer todo mundo na rua!"
"Olha a roupa delas, elas são anjos, anjos mamãe?"
postado por: Mallory Knox 5:55 PM
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Segunda-feira, Junho 06, 2005
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Para quem se interessar, dia 11 (sábado) estarei tocando uma apresentação acústica (a minha primeira vez sozinha), apresentando músicas do meu novo projeto, hangin freud, entre outras, num sarau do movimento humanista - sarau este que terá uma peça de teatro e outras atrações. A entrada é 5 reais, e totalmente revertida para os projetos do movimento, projetos sociais e também o projeto "arte pela transformação" que visa apoiar a arte independente. A festa começa as 19h, e estarei tocando às 21h, e o endereço é Rua Albuquerque Lins, 306 a 100 metros do Metrô Marechal Deodoro.
postado por: Mallory Knox 12:57 PM
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Terça-feira, Maio 31, 2005
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Teve aquele outro sonho - esse ainda mais bizarro. Estava eu, comendo club social e tomando chá no sofá da sala, como de costume, e eu olho pro lado e o vejo, bem no meu sofá, com aquela clássica roupa branca... Não era o papa, não sejam bobos, era alguém muito mais importante: Elvis.
Eu sabia que ele estava se materializando no meu sofá, brilhando todo, mas nem me incomodei em oferecer uma bolacha. Meia noite é hora de assistir TV e tomar chá e eu não sabia o que ele estava fazendo ali.
"Ah, então você não morreu?"
"Não morri o caralho, morri sim, estou reencarnando agora"
"Legal, o que você vai querer ser nesta vida?"
"Sei lá, só quero tirar essa roupa ridícula"
postado por: Mallory Knox 12:05 PM
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